domingo, 13 de maio de 2012

TROCANDO AS LETRAS

- Hum!
- Ah...
- Vem, meu amor, vem!
- Ah... ah... Susane...
- Epa! Que história é essa?!
- Como?
- Você me chamou por outro nome!
- Que é isso?! Eu te chamei pelo seu nome. Ou você mudou de nome, Susana?
- Não me venha com essa! Eu escutei muito bem: você me chamou de Susane! Quem é essa perua?! É sua amante, é?!
- Ô, amor!... Você não deve ter escutado direito... E, supondo que eu tenha dito mesmo Susane...
- E ainda repete!
- ... está óbvio que foi apenas uma troca de letras. Nem tudo tem um significado oculto. Você anda lendo Freud demais.
- Eu não estou falando de atos falhos, nem de inconsciente, seu safado! Estou falando de uma traição consciente. E ainda arruma essa sirigaita com um nome horroroso desses...
- Mas...
- Nada de "mas". E vai dormir no sofá da sala. Amanhã a gente conversa!
- Poxa, amor...
- Vai!
- Tá bom...

X X X

- E aí? Já se convenceu de que foi apenas uma troca de letras?
- Ainda não.
- Então, tá legal. Eu não vou mais insistir. Quando quiser conversar, você me procura. Agora tenho que ir trabalhar. Tchau.

X X X

Durante toda a semana, ela procurou uma evidência que fosse da traição. Vasculhou a memória e as coisas dele. Nada. Nenhuma Susane conhecida. A secretária dele se chamava Adelaide. Ele nunca se atrasara, nunca alegara cansaço para deixar de fazer amor com ela, nunca fez nada que pudesse sugerir uma traição. Nas suas coisas também não havia nada que evidenciasse uma amante. Nenhum bilhete, maço de cigarros ou manchas de batom na roupa. Nenhum indício na agenda. Escutou seus telefonemas pela extensão. Nada.
Era óbvio que fora apenas uma troca de letras. Sentindo-se meio ridícula, mas muito feliz, pediu desculpas por ter duvidado dele, disse que era uma idiota e que ele era o melhor marido do mundo.
- Tudo bem. Eu entendo como você se sentiu. Agora vamos botar uma pedra em cima desse assunto, e eu juro que nunca mais vou trocar o seu nome.

X X X

- Pois é, pra você ver o que uma simples letrinha pode fazer... Quase acabou com meu casamento.
- Mas ela custou tanto assim a acreditar em você?
- É, foram sete dias de suplício. Mas agora está tudo bem...
- Vê se toma mais cuidado de agora em diante.
- Pode deixar, Susane.

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